• casa, infâncias, mulheres em risco

    grupo de estudos coordenado por Nina Veiga

  • uns motivos

    Nina Veiga teve a vontade de formar um grupo de estudo com esse tema, a partir do episódio rosa e azul, protagonizado pela titular do Ministério da Mulher, da Família, e dos Direitos Humanos, seus desbobramentos e sua repercussão nas redes sociais.

    o gatilho

    a fala da titular do ministério

    o debate em torno do pronunciamento da ministra gerou, em minhas redes, posicionamentos diversos, inclusive com a demonstração de conservadorismo e pensamento direitista por pessoas que se diziam progressistas e/ou de esquerda.
    (Nina)

    a sinalização

    a infância estereotipada

    em meio à guerra de memes de ridicularização e aos processos de banalização do episódio 'rosa e azul', circulou um vídeo que apontava para um retrocesso ainda maior no estigma do menina-boneca, menino-carrinho, que venho combatendo há quase trinta anos.
    (Nina)

    Profa. Dra. Nina Veiga, coordenadora do Grupo de Estudos

    compor o discurso

    aprender a diferenciar casa, infâncias e mulheres do discurso neoconservador

    de repente, percebi que minha área de atuação coincidia com o locus dos conservadores. A tal ponto de ter sido convidada por uma instituição religiosa de direita para palestrar sobre a infância. Foi quando percebi a urgência de aprender a distinguir meu território existencial e de pesquisa do pensamento da extrema-direita.
    (Nina)

  • uns encontros

    acompanhe os encontros do grupo de estudos Ativismo Delicado: casa, infâncias, mulheres em risco

    primeiro encontro - ativismo

    um território de problematização se apresenta

    22 de janeiro de 2019

    apresentação do projeto e do campo de problematização

    comentários sobre o encontro 1

    primeiro encontro

    23 de janeiro de 2019

    comentários de Nina Veiga a partir do primeiro encontro do grupo de estudos

     

    segundo encontro - casa

    a casa como heterotopia

    29 de janeiro de 2019

    uma utopia ou uma heterotopia da casa? Uma outra casa na casa mesmo.

     

    comentários sobre o encontro 2

    segundo encontro

    30 de janeiro de 2019

    comentários de Nina Veiga a partir do segundo encontro do grupo de estudos.

     

    terceiro encontro - infâncias

    toda criança que nasce parece a primeira estrela

    5 de fevereiro de 2019

    a criança abre um devir que não é senão um espaço de uma liberdade sem garantias.

     

    comentários sobre o encontro 3

    terceiro encontro

    6 de fevereiro de 2019

    comentários de Nina Veiga a partir do terceiro encontro do grupo de estudos.

     

    quarto encontro - mulheres

    um devir-mulher da mulher

    12 de fevereiro de 2019

    o corpo morto de toda a mulher reduzida ao próprio sexo

     

    comentários sobre o encontro 4

    quarto encontro

    13 de fevereiro de 2019

    comentários de Nina Veiga a partir do quarto encontro do grupo de estudos.

     

    quinto encontro - em risco

    a sociedade do risco

    19 de fevereiro de 2019

    o risco como projeto de apequenamento da vida.

     

    comentários sobre o encontro 5

    quinto encontro

    20 de fevereiro de 2019

    comentários de Nina Veiga a partir do quinto encontro do grupo de estudos.

     

    sexto encontro - É necessário construir outros mundos?

    pelo não desperdício da experiência humana.

    26 de fevereiro de 2019

    Estamos vivendo um fim de mundo? Existe(m) outro(s) mundo(s)? Contribuições que pretendem alargar horizontes epistemológicos para engendrar novos olhares para encontros e pensamentos.

     

     

    comentários sobre o encontro 6

    sexto encontro

    26 de fevereiro de 2019

    comentários de Nina Veiga a partir do sexto encontro do grupo de estudos.

     

    sétimo encontro: cuidado de si

     

    sétimo encontro

    12 de março de 2019

     

     

    comentários sobre o encontro 7

     

    sétimo encontro

    13 de março de 2019

    comentários de Nina Veiga a partir do sétimo encontro do grupo de estudos.

     

    oitavo encontro:

     

    oitavo encontro

    19 de março de 2019

     

     

    comentários sobre o encontro 8

     

    oitavo encontro

    20 de março de 2019

    comentários de Nina Veiga a partir do oitavo encontro do grupo de estudos.

     

    nono encontro: a casa como espaço de arte

     

    Maria, Aline, Paula e Camille

    2 de abril de 2019

    a casa, lugar de liberdade ou opressão?

     

    comentários sobre o encontro 9

     

    a casa como espaço de arte

    comentários de Nina Veiga a partir do nono encontro do grupo de estudos.

     

  • encontro 1

    pensares

    um prólogo

    De vez em quando, algures, o mundo começa.

    Sim, isto. A terra, o chão debaixo dos pés, o céu por cima, as relações com os bichos. A paisagem tem outra luz ou desaparece. O cosmos caseiro dos homens altera-se. E eles mudam entre eles, quase sem darem por isso. Aglomeram-se ainda mais, nascem cidades, os perigos imprevisíveis diminuem, aparecem novas perplexidades. As hierarquias entre grupos humanos modificam-se. Muda a escrita e acelera-se a velocidade. Há novas palavras no ar. Espécies novas ou novas maneiras de as fazer dizer. São antigas, mas parecem inaugurais. A partir dessa raiz-mãe imperceptível novas literaturas são construídas. Ao princípio não se dá por nada. É assim que as coisas se passam.

    Quando depois se olha, vê-se como tudo é sempre simples. Algo mudou, tudo se modificou, é certo. Unicamente porque mudou o olhar de alguém ou nasceu um olhar novo. Houve ali uma massa de início. É imparável. O eco ouve-se na longa distância. A mensagem demora a chegar, como se fosse a luz de uma estrela. Mas acaba por chegar.

     

    JOAQUIM, Augusto. À beira destes textos. In: LLANSOL, Maria Gabriela; JOAQUIM, Augusto; BARRENTO, João; SANTOS, Maria Etelvina (Org.). À beira do rio da escrita. Lisboa/Sintra: GELL – Grupo de Estudos Llansolianos, 2004, p. 7-11. (Jade – Cadernos llansolianos, 1.).

    outro prólogo

    [...] impossível compreender um ser humano em toda sua abrangência, com base no conceito de espécie. Os mais arraigados preconceitos são os referentes ao sexo. O homem vê na mulher e a mulher no homem, quase sempre, demais do caráter genérico do sexo e muito pouco da individualidade. Na vida prática, isso prejudica menos os homens que as mulheres. A posição social da mulher é geralmente tão indigna, porque depende demais de preconceitos referente às pretensas tarefas e necessidades naturais da mulher e muito pouco do caráter individual. As atividades do homem baseiam‐se em suas faculdades e inclinações individuais, as da mulher devem ser exclusivamente julgadas pelo fato de ela ser mulher. A mulher deve ser, segundo essa visão, escrava do caráter genérico, ou do feminino em geral. Enquanto os homens continuarem debatendo se a mulher serve ou não, em função de sua disposição natural, para esta ou aquela profissão, o problema da igualdade da mulher não vai progredir. O que a mulher pode querer de acordo com a sua disposição natural, tem de ser decidido por ela. Se fosse verdade que as mulheres só servem para as profissões atualmente exercidas por elas, então dificilmente conseguiriam exercer outras por força própria. Porém elas devem poder decidir livremente o que lhes convém, segundo a sua natureza. Quem teme o abalo da ordem social em virtude de se atribuir à mulher direitos individuais, não entende que uma ordem social na qual a metade leva uma vida indigna precisa, sim. e muito, de melhoramentos.

     

    STEINER, Rudolf. A Filosofia da Liberdade: fundamentos para uma filosofia moderna. São Paulo, Antroposófica, 2008, p. 163.

    uma epígrafe

    "Nós podemos ir a qualquer lugar, menos para casa".

     

    Abena Busia, poetisa ganesa.

    outra epígrafe

    "A casa abriga um dia sonhado...
    A casa abriga um sonhador..."

     

    BACHELARD, Gaston. A casa. Do porão ao sótão. O sentido da cabana. In:_. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

    uma lembrança

    "O privado é político".

    [ou]
    "O pessoal é político".

     

    Lema do movimento feminista, segunda onda, anos 60-70.

    outra lembrança

     
    #LulaLivre

     

    Reafirmamos nosso repúdio em viver em um país que tem um preso político.

    uma estória

    Deus criou o mundo em sete dias e, a seguir , criou, à sua imagem, Adão, o primeiro homem. Somente depois, a partir de uma costela de Adão, criou Eva, a primeira mulher.

    outra história

    Zeus, para se vingar de Prometeu, que lhe havia roubado o fogo sagrado, símbolo do saber e da técnica, ordenou a Éfeso que, usando o barro, criasse a primeira mulher sobre a Terra, Pandora.

    uma pergunta

    É possível falar feministicamente das experiências do cotidiano, numa microhistória?

     

    RAGO, Margareth. Epistemologia feminista, gênero e história.

    outra pergunta

    Por que se despreza, historicamente, a cozinha em relação à sala, e a casa em relação à rua?

     

    RAGO, Margareth. Epistemologia feminista, gênero e história.

     

    um ponto

    O valor.

     

    outro ponto

    A transvaloração.

     

    um espaço

    Gendrado.
     
    O vocábulo gendrado, oriundo de gender (palavra inglesa para gênero), tem sido utilizado por feministas, na falta de um adjetivo correspondente ao substantivo gênero. Trata-se de um neologismo, incorporado do inglês (gendered) e ainda não dicionarizado. Pode-se falar em corpo gendrado para designar não o corpo sexuado, mas o corpo formatado segundo as normas do ser mulher ou do ser homem.

    outro espaço

     
    Feminismo da casa.
     
    (Conceito em sistematização)

     

    um epílogo

    "No deserto, não existe nenhuma placa que diga: não comerás pedras".
     

    Provérbio Sufi

     

    ATWOOD, Margaret. O conto da Aia. São Paulo: Rocco, 2006.

  • encontro 2 - casa

    pensares

    uma epígrafe

    "A libertação depende da construção da opressão, depende de sua imaginativa apreensão e, portanto, da consciência e da apreensão da possibilidade."

    Harawey, Donna; Haru Kunzru. Antropologia Ciborgue: as vertigens do pós-humano. São Paulo: Autêntica, 2000, p. 40.

    uma imagem

    "Se chamado a definir a função da casa diria: a casa abriga um dia sonhado, a casa protege um sonhador, a casa possibilita o [ser humano] a sonhar."

     

    BACHELARD, Gaston. A casa. Do porão ao sótão. O sentido da cabana. In:_. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

    uma origem

    o conceito de economia (gregos):
    oikos - casa

    nomos - costume lei

    outra origem

    século XIX:

    a medicina define a 'natureza' da mulher

    surge a mentalidade "natureza - identidade"

    outra chance

    composição junto a forças aliadas

    uma vontade

    fazer da casa lugar de nutrição.

    um conceito

    heterotopia:

    outros espaços e tempos no mesmo lugar

    um inimigo

    o neoliberalismo

    um amigo

    redes

    umas sombras

    recalque, renúncia, decalque

    outra sombra

    mesmidade

    uma certeza

    "A casa, na vida [humana], afasta contingências, multiplica seus conselhos de continuidade. Sem ela, o [humano] seria um ser disperso. A casa mantém o [ser humano] através das tempestades do céu e das tempestades da vida. Ela é corpo e alma. É o primeiro mundo do ser. Antes de ser atirado ao mundo, o [ser humano] é colocado no berço da casa."

     

    BACHELARD, Gaston. A casa. Do porão ao sótão. O sentido da cabana. In:_. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

    uma provocação

    "Ó meu corpo, proteje-me da alma o mais que puderes. Come, bebe, engorda, torna-te espesso para que ela [a alma] me seja menos pungente."

     

    NÖEL, Marie. Notas íntimas.

    In: PRADO, Adélia. Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 441.

  • encontro 3 - infâncias

    pensares

    uma epígrafe

    Todo o devir nasce do conflito dos contrários; as qualidades definidas que nos parecem duradouras só exprimem a superioridade momentânea de um dos lutadores, mas não põe termo à guerra: a luta persiste pela eternidade a fora.

    outra epígrafe

    "Uma [criança] nasceu - o mundo tornou a começar"

    Guimarães Rosa

    um combate

    junto à cristalização da criança numa forma modelo.

    uma tradição

    "Se não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus"

     

    Novo Testamento

    um espanto

    "As crianças são mandadas cedo à escola não para que aprendam, mas para que aí se acostumem a ficar sentadas tranquilamente e a obedecer pontualmente àquilo que lhes é mandado".

     

    Kant

    outro espanto

    "Ser criança era ser ninguém, mas um ninguém que virá a ser".

     

    CECCIM, Ricardo Burg; PALOMBINI, Analice de Lima. Imagens da infância, devir-criança e uma formulação à educação do cuidado. Psicologia & Sociedade; 21 (3): 301-312, 2009.

    um quando

    tempos de infâncias, tempos múltiplos: chronos, kairós, aion.

    uma vontade

    ter "precisão de achar o poder de um direito bonito no avesso das coisas feias".

     

    Guimarães Rosa

    um epílogo

    "uma fórmula da máxima afirmação, nascida da plenitude, da superabundância, um dizer sim sem reserva, até mesmo ao sofrimento, à própria culpa, a tudo o que é problemático e estranho na existência... Este sim derradeiro, entusiasta, exuberante e folgazão à vida não é só o mais excelso discernimento, é também o discernimento mais profundo, o mais rigorosamente confirmado e sustentado pela verdade e pela ciência. Nada do que existe se deve por de lado, nada é supérfluo.

    NIETZSCHE, F. Ecce Homo, 2009, p. 60-61.

  • encontro 4 - mulheres

    pensares

    uma epígrafe

    "É muito mais difícil matar um fantasma do que uma realidade."

    WOOLF, Virginia. Profissão para mulheres e outros artigos feministas. Porto Alegre: LP&M, 2012, p. 13.

    outra epígrafe

    "Quer dizer, o que é uma mulher? Juro que não sei. E duvido que vocês saibam."

     

    WOOLF, Virginia. Profissão para mulheres e outros artigos feministas. Porto Alegre: LP&M, 2012, p. 14.

     

    uma declaração

    Em 1789, a Assembleia Nacional Constituinte Francesa proclamou, na Declaração dos Homens e dos Cidadãos, que todos os homens nascem livres e se mantém iguais em seus direitos - todavia o documento não compreendia o status dos judeus, dos escravos nas colônias, nem das mulheres em qualquer lugar.

    outra declaração

    Em 1791, dois anos após, a escritora Marie Olympe de Gouges, sobre o modelo da Declaração dos Homens e dos Cidadãos, que não contemplava as mulheres, escreveu a Declaração das Mulheres e das Cidadãs, dirigido à Assembleia Nacional Constituinte Francesa. Foi o primeiro documento da Revolução Francesa a mencionar a igualdade jurítica e legal das mulheres em comparação com os homens.

    A Assembleia rejeitou o projeto, que foi completamente ignorado política e academicamente e caiu no ostracismo até 1986, quando uma pesquisadora a resgatou.

    uma execução

    Em 1793, dois anos após, a escritora Marie Olympe de Gouges, foi presa pelo Tribunal Revolucionário e executada pela guilhotina da Assembleia Nacional Constituinte Francesa que lutava pela igualdade, fraternidade e liberdade.

    uma pauta

    ultrapassar os binarismos.

    um lugar

    O corpo morto de toda mulher reduzida ao próprio sexo.

     

     

    um outro lugar

    o devir-mulher

     

    A questão não é apenas a do organismo

  • encontro 5 - em risco

    um prólogo

    Quantos seres sou eu para buscar sempre do outro ser que me habita as realidades das contradições? Quantas alegrias e dores meu corpo se abrindo como uma gigantesca couve-flor ofereceu ao outro ser que está secreto dentro de meu eu? Dentro de minha barriga mora um pássaro, dentro do meu peito, um leão. Este passeia pra lá e pra cá incessantemente. A ave grasna, esperneia e é sacrificada. O ovo continua a envolvê-la, como mortalha, mas já é o começo do outro pássaro que nasce imediatamente após a morte. Nem chega a haver intervalo. É o festim da vida e da morte entrelaçadas.

     

    Lygia Clark, carta a Mário Pedrosa, 1967, In LINS, Sônia. Artes. Universidades do Texas, 1996.

    outro prólogo

    Acolher a ocorrência do acaso, do ocaso. Morte-vida, vida e morte, na membrana que envolve o ovo, se vê a serpente. Ela nasce, e em seu ventre um novo ovo se forma. O ventre é oco, é nele que brotará a mão, o corpo que bordará novos rostos no silêncio do bordar.

     

    VEIGA, Ana. Como se borda um rosto. In: Fiar a escrita: Políticas de narratividade – exercícios e experimentações entre arte manual e escrita acadêmica. Um modo de existir em educações inspirado numa antroposofia da imanência. Tese de Doutorado. Universidade de Lisboa. Universidade Federal de Juiz de Fora. Juiz de Fora, 2015.

     

     

    uma epígrafe

    "Malgrado o tempo, malgrado a morte e a decomposição, estamos todos reunidos!"

     

    Schopenhauer, Arthur. Metafísica do amor, metafísica da morte. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 41.

    outra epígrafe

    As tentativas que fazemos para controlar o futuro acabam por se voltar contra nós, forçando-nos a procurar novas formas de viver com a incerteza.

     

    Giddens, Anthony. O Mundo na Era da Globalização. Lisboa: Presença, 2000.

    uma etimologia e uma definição

    Risco

    uma ameaça ou perigo de determinada ocorrência.

    Vem do árabe, passando pelo italiano, e na origem significa: "aquilo que se depara com a providência".

    A partir do Séc. XVI e XVII, começou a ser usado por exploradores ocidentais para falar de insegurança marítima.

    outra etimologia e outra definição

    Risco

    delineamento, modelo, plano, planta, traçado.

    uma origem

    os modernos eliminaram a genuína indeterminação ou incerteza, inventando o risco. Eles aprenderam a transformar um cosmos radicalmente indeterminado num cosmos manejável através do mito do cálculo.

     

     

    MENDES, Felismina. Risco: um conceito do passado que colonizou o presente. Revista Portuguesa de Saúde Pública, Lisboa, V.20,n.2 (Jul.-Dez. 2002), p.53-62

    uma base

    o pensamento neoconservador quer um mondo sem risco para:

    "A felicidade de uma vida onde nada acontece".

     

    MENDES, Felismina. Risco: um conceito do passado que colonizou o presente. Revista Portuguesa de Saúde Pública, Lisboa, V.20,n.2 (Jul.-Dez. 2002), p.53-62

  • encontro 6 - outros mundos possíveis

    Estamos vivendo um fim de mundo? Existe(m) outro(s) mundo(s)? Contribuições que pretendem alargar horizontes epistemológicos para engendrar novos olhares para encontros e pensamentos.

    Mulheres makuxi na Maloca Gavião. Foto: Vincent Carelli, 1986.

    é necessário construir outros mundos? Pelo não desperdício da experiência humana.

    apresentação por Fernanda Moraes, integrante do Grupo de Estudos Ativismo Delicado: Casa, infâncias, mulheres em risco.

    Olá Mulheres, vou fazer a introdução da apresentação do grupo que chamamos de “Arriscando” formado pela Ana Paula, Deyse e eu. Este grupo é o resultado da dinâmica de interação proposta pela Nina, facilitadora desta “roda”, digamos assim! Aliás li um texto hoje que trazia uma ideia que pareceu muito coerente com o que é realizado por este grupo:

     

    - Aprimoramento do Corpo Consciente em círculos de envolvimento (ciber) cultural

     

    Achei incrível a junção das palavras CORPO, CONSCIENTE, ENVOLVIMENTO E CIBER CULTURAL

     

    Sinto que estou podendo vivenciar neste grupo a potência das qualidades das trocas virtuais, porque entendo que ele desperta, provoca, inquieta em meu corpo que se torna cada vez mais consciente. Consciente das luzes e das sombras, buscando caminhos de lucidez em um tempo onde a confusão é generalizada e inclui a captura de nossos sonhos e pensamentos - muitas vezes transformando-os em medo e revolta.

     

    Desde o começo das nossas interações senti muita vontade de trazer as questões do Bem Viver para a conversa. Tenho uma forte intuição de que não sairemos do “buraco civilizatório” que nos colocamos se não nos depararmos com conceitos voltados a descolonialidade e ao enfretamento do capitalismo, que subjugou até mesmo a nossa tão frágil democracia.

     

    Acredito que o conceito de Bem Viver alimenta nosso repertório civilizatório e amplia nossa sensação de mundo e de lugar no mundo. O capítulo do livro escolhido para a leitura desta semana de Alberto Acosta (ACOSTA, 2006), nos ajuda a compreender que nossa sociedade hegemônica formada por homens, brancos, heterossexuais que querem a todo custo terem acesso ao kit civilizatório (composto pelo carros do ano, Ipad e demais fetiches do consumo) é desperdiçar a diversidade das experiências humanas (como apresentou o Prof. Carlos Walter no vídeo indicado junto com as leituras desta semana). É muito recente a forma como nossa sociedade atual foi pensada, e ela é se sustenta pela “monocultura das mentes” como analisa a física indiana e prêmio nobel Vandana Shiva, ou seja reduzimos as possibilidades e homogeneizamos a favor da ordem e da produção. E com isso colocamos em risco a própria Vida que se sustenta desta pluralidade, abundância e complexidade múltiplas (SHIVA, 2003).

     

    Então, enfrentar a tal crise civilizatória e esses discursos de “progresso” a todo custo, é povoar sonhos, construir outras imagens de futuro e oportunidades de pensamentos. Com isso também me apoio no nosso tão citado Rudolf Steiner:

     

    O mundo que tememos só pode ser superado com imagens do mundo que queremos."

     

    Trago também a contribuição do grupo realizada pela Catarina sobre a entrevista com o filósofo Sul Coreano Byung-Chul Han e o recorte que a Adriana fez e colou no grupo do whatzaap que me instigou a começar a pensar esta apresentação:

    "Eu sou diferente; estou cercado de aparelhos analógicos: tive dois pianos de 400 quilos e por três anos cultivei um jardim secreto que me deu contato com a realidade: cores, aromas, sensações… Permitiu-me perceber a alteridade da terra: a terra tinha peso, fazia tudo com as mãos; o digital não pesa, não tem cheiro, não opõe resistência, você passa um dedo e pronto… É a abolição da realidade; meu próximo livro será esse: Elogio da Terra. O Jardim Secreto. A terra é mais do que dígitos e números." (BYUNG-CHUL HAN: HOJE O INDIVÍDUO SE EXPLORA E ACREDITA QUE ISSO É REALIZAÇÃO, 2019)

     

    Mas, como a terra é também formada por dígitos e números. Podemos revelar que a potência deste grupo de Ativismo Delicado é aprender a compor pensamentos de qualidade para intervir no nosso pequeno pedaço de chão do cotidiano. Ele nos apoia nas nossas formações, e auxilia nos tortuosos caminhos para irmos profundamente nos chamados de mudança que nossas almas clamam.

     

    Neste exercício de compor pensamentos nós três (Ana, Deyse e eu) nos esforçamos para trazer repertórios voltados para o tal hibridismo cultural e a valorização da contribuição do olhar não eurocêntrico para nossa cultura - o que nos ajudaria a pensar sobre a Casa, Infância e Mulheres em risco.

     

    Então, a riqueza dos povos se traduz aqui em riqueza de modos cognitivos e consequentes formas de lidar com a coisas do cotidiano, com a política, com a proposta de civilização. Bem Viver é uma corrente de pensamento que busca compreender junto aos povos originários da América o que se chama de Sumak Kawsay (Quishua) ou Teko Porã (Guarany), ou seja, “modos de vida boa”, que parece ingênuo e infantil numa primeira passada de olho, mas quando tomamos contato levamos um susto com seu potencial aumento de possibilidades de pensar e de relacionar com as coisas. Pois as experiências humanas sobre os conceitos de vida boa são muito mais diversa do que podemos imaginar.

     

    Por exemplo, na Bolívia, onde o Bem Viver foi debatido nos parlamentos, incorporaram os Direitos da Natureza na Constituição Federal, ou seja, a água ganha o direito de ser água, a terra de ser terra, os bichos de serem bichos e assim por diante. Não para prover a futuras gerações humanas, mas sim porque constituem o planeta e merecem ser o que são em sua essência e dignidade (BEM VIVER O CONCEITO QUE IMAGINA OUTROS MUNDOS POSSÍVEIS JÁ SE ESPALHA PELAS NAÇÕES, 2019).

     

    E se levarmos este pensamento para nosso cotidiano? O que mudaríamos? Como olharia para meu cachorro, que merece ser um cão em sua essência por dignidade, e não para me servir em momentos de solidão? Como olharia para meu filho que merece experienciar toda sua potencia de vida e não se reduzir para caber na minha ordem e desejos? Como olharia para os filhos da minha vizinha também? Como me relacionaria com meu companheiro, de modo que ele deveria ser reduzido em um status social para a manutenção da tradição, e sim entendendo que ele tem o direito de ser o melhor ser humano que ele pode ser, em todas as suas dimensões? Como olharia para os insetos do meu quintal ou para os pássaros que me visitam? Como eu me olharia no meu próprio processo de singularização e subjetividades?

     

    Para isso trazemos as falas do Célio Turno, fundador do movimento Raiz Cidadanista que: “Os povos estão aí e reclamam com paciência e firmeza ao mesmo tempo pela convivência e reciprocidade de bens e palavras, um sistema justo de intercâmbio em nossa vida toda; foi possível e é possível; e o consideram válido para todos os tempos. Os povos e nações indígenas da América são a memória de nosso futuro e, se não existissem, teria que inventá-los. Como todos nós que já estamos na hora de inventar-nos novamente.”(RAIZ AVANÇA PARA SE TORNAR UM NOVO PARTIDO-MOVIMENTO, 2019)

     

    Talvez deveríamos empreender uma grande luta pela Vida, Dignidade e Território, como trouxe o Prof. Carlos Walter.

     

    Com tudo isso elaboramos este tema:

     

    Diante de mais um “fim de mundo”, agimos para preservar o que já existe ou para criar o novo? Que outro mundo podemos criar? Como pensar e criar outro mundo? Contribuições que pretendem alargar horizontes epistemológicos para enriquecer processos de subjetivações tendo como foco o ato de nomear e “criar mundos”.

     

     

    Bibliografias consultadas para este texto:

     

    ACOSTA, Alberto. O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo : Autonomia Literária, Elefante, 2016. 264 p.

     

    BEM VIVER O CONCEITO QUE IMAGINA OUTROS MUNDOS POSSÍVEIS JÁ SE ESPALHA PELAS NAÇÕES Link: < http://g1.globo.com/natureza/blog/nova-etica-social/post/bem-viver-o-conceito-que-imagina-outros-mundos-possiveis-ja-se-espalha-pelas-nacoes.html> Acesso em 26 de fevereiro de 2019

    BYUNG-CHUL HAN: “HOJE O INDIVÍDUO SE EXPLORA E ACREDITA QUE ISSO É REALIZAÇÃO”. Link: <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/07/cultura/1517989873_086219.html> Acesso em 26 de fevereiro de 2019

     

    RAIZ AVANÇA PARA SE TORNAR UM NOVO PARTIDO-MOVIMENTO. Link disponível http://www.raiz.org.br/raiz-avanca-para-se-tornar-um-novo-partido-movimento Acesso em 23 de fevereiro de 2019

     

    SHIVA, V. Monocultura da mente: perspectivas da biodiversidade e da biotecnologia. Ed Gaia, 326p. 2003

     

     

     

    *Fernanda Correa de Moraes: Engenheira Agrônoma, Mestra em Ecologia Aplicada (ESALQ/CENA 2017). Gestora de Projetos Socioambientais pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), mãe, ativista e ecossocialista.

    Outras palavras, outros mundos

    5 textos de Ana Paula Zaguetto*, integrante do Grupo de Estudos Ativismo Delicado: Casa, infâncias, mulheres em risco.

    Texto 1

    Este texto é um pensar com o livro Extramundanidade e sobrenatureza: ensaios de ontologia infundamental (VALENTIM, Marco Antonio. Extramundanidade e sobrenatureza: ensaios de ontologia infundamental. Florianópolis, SC : Cultura e Barbárie, 2018. 320 p.), de Marco Antonio Valentim, professor de filosofia da Universidade Federal do Paraná. Um livro que me atraiu imediatamente, em grande medida pela influência das palavras de Eduardo Viveiros de Castro em sua contracapa. Mas também devido a essas palavras novas (para mim, ao menos) que saltavam do título e pareciam indicar um caminho para descobertas sobre esse nosso mundo, a partir da perspectiva de outros. Embarquei no desafio de me relacionar com conceitos filosóficos, antigos e novos, presentes e ausentes, sem muita experiência de navegação por eles, o que não impediu (ou talvez por isso mesmo) que os pensamentos do livro provocassem inquietações profundas, as quais não conseguia nomear, até então. Com o grupo de estudos Ativismo Delicado, com a inspiração das palavras e gestos da Nina, com a parceria de Nana e Dayse para compor o sexto encontro, com todas as reflexões, desabafos e descobertas de todas as mulheres nessa roda, pude vislumbrar uma das causas das inquietações que esse livro me traz.

     

    Donna Haraway, no texto Manifesto Ciborgue, diz: "a fronteira entre a ficção científica e a realidade social é apenas uma ilusão ótica”. Se essa fronteira é uma ilusão, então a ficção tem algo da realidade e a realidade, algo da ficção. A realidade social, assim como a ficção, é criada/construída por alguém. E a ficção, assim como a realidade social, nasce a partir de experiências vividas. Haraway, então, para friccionar realidade social e ficção, recorre à imagem do ciborgue, tanto aquele da ficção quanto aquele da realidade social - os híbridos entre máquina e organismo (já não somos hibridizadas com nossos smartphones?). O Manifesto é uma tentativa de "construir um mito político que seja fiel ao feminismo, ao socialismo e ao materialismo” e escrevê-lo é um ato político, pois “a liberdade depende da construção da consciência da opressão”. Precisamos de narrativas que nos digam como a opressão acontece, quais formas assume, para assim pensarmos em possibilidades para nos libertarmos. Possibilidades que nos abrem caminhos que serão tentativas de libertação. Novos caminhos não têm um destino conhecido. São um risco.

     

    Pensar na criação e construção de ficções, narrativas, mitos políticos, nos faz pensar nas palavras que usamos para criá-los e construí-los. Palavras que nomeiam o mundo, nomeiam o outro, nomeiam a nós mesmas. Para pensá-las, seguem quatro textos que nos dão pistas sobre nossas palavras e o mundo criado por elas.

    Texto 2

    "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus."

     

    "Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda alma vivente, isso foi o seu nome."

     

    Gênesis, primeiro livro da Bíblia

     

     

    Texto 3

     

    "Todos os governos fascistas começam na semântica.”

     

    Wagner Moura, em entrevista sobre o filme Marighella

    Texto 4

    Work in progress

     

    o saquipiranga

    que se torna mico-leão-dourado

    para extinguir-se;

    o suaçuapara

    que se torna cervo-do-pantanal

    para extinguir-se;

    a jaguapitanga

    que se torna raposa-do-campo

    para extinguir-se;

    a jaguatirica

    que se torna gato-do-mato

    para extinguir-se;

     

    Poema de Ricardo Domeneck

     

    Texto 5

     

    Palavra, Alma terrena, Respiração, Soar, Emitir som, Voz, Alma, Nome, Vida, Palavra-alma, Alma de origem divina, Ser vivo, Palavra-alma, Palavra-alma de ser já falecido, Palavras ditas anteriormente, História antiga, Unidade de discurso, Pessoa, Língua, Aconselhar, Advertir, Pessoas que sabem o que sabem por ouvir dizer, Pessoas que sabem o que sabem por ver a palavra, por terem visões.

     

    Possíveis traduções de conceitos Kaiowa e Guarani para a nossa palavra “palavra”, a partir de expressões em sua língua que teriam equivalência com “palavra”, pois não a possuem.

     

     

    Tudo que é nomeado pelo Homem tende a extinção. Qual seria o mito político, então, que poderia ampliar nossa consciência sobre a opressão? A opressão não apenas de mulheres, negros, pobres, LGBT’s ou os próprios homens, mas também a opressão de povos que resistem na floresta, de povos arrancados de sua vida e de sua terra para serem escravizados, de animais criados para serem objeto e mercadoria, de árvores cortadas sem consideração alguma, de formas de vida que talvez nossa civilização tenha extinto sem nem chegar a conhecer.

     

    A construção desse mito político avança com o livro de Valentim, que confronta o pensamento ocidental com o pensamento ameríndio, tendo como eixo para cada um desses pensamentos a filosofia de Kant e a filosofia do xamã yanomami Davi Kopenawa. Este, autor, em conjunto com Bruce Albert, do livro A queda do céu: palavras de uma xamã yanomami, no qual, a partir de sua perspectiva, nos nomeia de “povo da mercadoria” (ao passo que nós os nomeamos de “povos da floresta”…).

     

    No livro, Valentim nos apresenta a novas imagens e conceitos para descrever as forças que geram o fascismo. Como xawara, conceito-imagem de Davi Kopenwawa, que se refere à “epidemia-fumaça” libertada do fundo da terra pelos homens brancos que destroem a floresta para extrair minérios, a começar pelo ouro. Ou o “canibalismo de Gaia”, de Paul B. Preciado, que nos diz que "o progresso se alimenta de reservas de baixa entropia de plantas, animais e escravos humanos para aumentar a energia disponível para classes dominantes e sustentar cidades e impérios” e que "o aumento da energia per capita se apoiou até hoje na canibalização de Gaia. O Antropoceno é o lixo deixado pelo banquete canibal”.

     

    Antropoceno, a época do Homem, na qual a ação humana se torna uma força geológica - que produz as mudanças climáticas - e a natureza se torna um sujeito político - como a Constituição do Equador que reconhece a natureza como sujeito de direitos. A essa ação do Homem, a Antropia, Valentim acopla a Entropia, medida da termodinâmica relacionada à irreversibilidade dos processos físicos: “a antropia seria, pois, uma potência cósmica excepcionalmente entrópica (…) é essa antropia que, com a necessidade incontornável pela qual o calor se transfere do quente ao frio e informação ‘vira' energia, parece impelir à extinção em massa das espécies vivas, conduzindo, no limite, à aniquilação da própria espécie humana”. Æntropia, uma nova forma para a opressão.

     

    Finalizo o texto com as palavras de Marco Antonio Valentim sobre Antropoceno e fascismo, em entrevista para a revista IHU: “O paradoxo do fascismo, que necessita do outro cuja existência se empenha em aniquilar, se revela, desde uma perspectiva ecopolítica, como sendo o mesmo que o paradoxo do Antropoceno: a época do Homem é o tempo de sua própria extinção”. “Conforme podemos testemunhar mundo afora, o fascismo é a política oficial do Antropoceno (assim como o capitalismo, o seu sistema econômico)”.

     

    *Ana Paula Zaguetto, artista, pesquisadora e educadora. Faz parte da Oca - Laboratório de Educação e Política Ambiental da Esalq/USP. Trabalha com produção audiovisual e educação não formal.

  • a arte do presente

    comentários de Dayse Santiago*, integrante do Grupo de Estudos Ativismo Delicado: Casa, infâncias, mulheres em risco.

    Comentário do texto: BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte : Ed. UFMG, 1998. 396 p.

    Para além do risco que se corre no existir, há o além. Sem romantizar o passado, sem abandonar uma possibilidade de futuro, ir além marca um progresso, há uma promessa de um futuro; desloca-se o presente e este se torna desconexo, suspenso. Quando nos colocamos para além de nossa existência calcada em conceitos, fragmentos e outras caracterizações, nos dispomos a um devir a ser, então há uma possibilidade de criação. Infinitas possibilidades se abrem como um leque.

     

    Quando em momento presente me afasto de categorias que ditam- sim, ditam! - sobre mim mesma, sobre quem sou (mulher, classe média baixa, negra, curitibana, artista, casada, professora,...) aí crio um espaço entre coisas e é neste espaço que me sobreponho às diferenças.

     

    “No momento em que desejo, estou pedindo para ser levado em consideração.”

     

    Lyrics, Caetano Veloso

    Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante
    De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
    E pousará no coração do hemisfério sul
    Na América, num claro instante
    Depois de exterminada a última nação indígena
    E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
    Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

    Virá
    Impávido que nem Muhammad Ali
    Virá que eu vi
    Apaixonadamente como Peri
    Virá que eu vi
    Tranquilo e infálivel como Bruce Lee

    Virá que eu vi
    O axé do afoxé Filhos de Gandhi
    Virá

    Um índio preservado em pleno corpo físico
    Em todo sólido, todo gás e todo líquido
    Em átomos, palavras, alma, cor
    Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico
    Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
    Do objeto-sim resplandecente descerá o índio
    E as coisas que eu sei que ele dirá, fará
    Não sei dizer assim de um modo explícito

    Virá
    Impávido que nem Muhammad Ali
    Virá que eu vi
    Apaixonadamente como Peri
    Virá que eu vi
    Tranqüilo e infálivel como Bruce Lee
    Virá que eu vi
    O axé do afoxé Filhos de Gandhi
    Virá

    E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
    Surpreenderá a todos não por ser exótico
    Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
    Quando terá sido o óbvio

     

     

    *Dayse Cristina Santiago, idealizadora, diretora e coordenadora do Ipê Amarelo- Espaço de Brincar e Criar. Autora do livro “Ô de casa!- um chamado”.

    O filósofo Homi Bhaba esteve em São Paulo durante os dias 6 e 7 de Novembro de 2012 para participar do Simpósio Trigésima Bienal de São Paulo - A Iminência das Poéticas, ocasião em que concedeu essa breve entrevista ao curador Luis Pérez-Oramas.

     

    Nesta entrevista, destaque para o conceito de extemporaneidade, um olhar para o passado que pode nos apoiar para produzir um futuro.

  • umas leituras

    os textos lidos e comentados nos encontros

    para o segundo encontro

    SCHMIDT, Simone Pereira. O feminismo, ainda. In: FREITAG, Raquel Meister Ko.; Severo, Cristine Gorski. (Orgs.) Mulheres, linguagem e poder: Estudos de gênero na sociolinguística brasileira. São Paulo : Blucher, 2015, p. 291-304.

     

    acesse o PDF do texto

    ALMEIDA, Silvio Luiz. Neoconservadorismo e liberalismo. In: GALLEGO, Esther Solano. O ódio como política. São Paulo: Boitempo Editorial, 2018, p. 27-32.

     

    acesse o PDF do texto

    RIBEIRO, Stephanie. Feminismo: um caminho longo à frente. In: GALLEGO, Esther Solano. O ódio como política. São Paulo: Boitempo Editorial, 2018, p. 103-108.

     

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    para o terceiro encontro

    O primeiro texto, e o mais central deles, é de Virgínia Kastrup. A ênfase é na cognição, essa cognição que precisamos acionar para compor com os tempos em que vivemos e que tem a ver de certo modo com a cognição infantil.

     

    KASTRUP, Virgínia. O Devir-Criança e a Cognição Contemporânea. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2000, 13(3), pp.373-382

     

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    O segundo texto, é um texto mais crítico. Optei por ele, primeiro porque a gente tem de se acostumar a ler texto escrito por pesquisadores em formação, pois eles nos facilitam o exercício da crítica. Como, no senso comum, acabamos por achar que um texto traz "a verdade", na maioria das vezes, vamos ao texto para buscar conhecimento pronto e não para produzir conhecimento. Um texto em processo, por ser menos acabado, ajuda no exercício da crítica e na composição de pensamento autoral.

     

    CECCIM, Ricardo Burg; PALOMBINI, Analice de Lima. Imagens da infância, devir-criança e uma formulação à educação do cuidado. Psicologia & Sociedade; 21 (3): 301-312, 2009.

     

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    O terceiro texto é o mais lateral de todos. É de um autor conhecido, o recém-doutor em Ciências da Religião, Gandhy Piorski. Ele está aqui por uma série de razões, cito algumas delas: 1) a cosmovisão que traz da criança e do brincar se aproxima de certa maneira de um aspecto daquilo que estamos chamando de "imaginário", inclusive o autor é bachelariano; 2) conversa com a educação steineriana de um modo diagonal, mas potente à reflexão; 3) assim como boa parte dos integrantes do Mec bonsonarista, Gandhy é de um programa de pós-graduação em Ciências da Religião. Temos que aprender a lidar com o pensamento religioso, especialmente aquele que quer afirmar-se científico; 4) ainda não é o último motivo, mas o último que mencionarei aqui, o texto traz uma "qualidade de infância" que acho central na discussão "rosa-azul".

     

    AIRES, Gandhy Piorski; GOMES, Eunice Simões Lins. A cosmovisão como fundamento no ensino religioso: apontamentos da pedagogia Waldorf. Rev. Pistis Prax., Teol. Pastor., Curitiba, v. 5, n. 2, p. 549-562, jul./dez. 2013.

     

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    leituras para o quarto encontro

    Um 'livro-tempo', desdobrado de si mesmo, proliferado pelas escavações dos leitores e dos silêncios que ainda guarda. Suely Rolnik pertence à tribo dos extemporâneos e intempestivos. Seu trabalho de pensamento e escrita segue a imagem dos estilhaços bifurcantes de uma granada sempre recém-lançada na direção de nosso desalojamento. Sua escrita nos transporta sempre para algo por vir e, como máquina de afectos, opera tanto como sismógrafo quanto terremoto.

     

    ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre: Sulina, 2014.

     

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    ¿Existe una relación entre la opresión patriarcal y la destrucción de la naturaleza en nombre del progreso y el beneficio? ¿Cómo debería contabilizarse la violencia inherente a este proceso? ¿Existe alguna relación entre el movimiento de mujeres y otros movimientos sociales? Esta nueva edición, revisada y ampliada, es hoy tan vigente y necesaria como cuando se publicó por primera vez. Este libro sitúa la responsabilidad y las respuestas que las mujeres pueden dar a los mayores problemas actuales del planeta, tanto medio ambientales como económicos. La destrucción ecológica y las catástrofes industriales de hoy en día constituyen uno de los trazos constitutivos de nuestra vida diaria, el mantenimiento de la cual es habitualmente responsabilidad de las mujeres. Junto a esta situación, las nuevas guerras que el mundo experimenta, los conflictos étnicos y el mal funcionamiento de las economías se presentan para el ecofeminismo como urgentes cuestiones a resolver, tanto en las sociedades industrializadas como en las del Tercer Mundo. Maria Mies, profesora de sociología retirada. Involucrada en diversos movimientos sociales: inicialmente en el movimiento de mujeres, después en el movimiento de ecología, el movimiento por la paz y el movimiento anti-globalización. Vandana Shiva es doctora en ciencias físicas (1978) y una de las ecologistas, feministas y filósofas de la ciencia más prestigiosas a escala internacional que luchan activamente contra el modelo neoliberal de globalización y a favor de los derechos de los pueblos. Shiva recibió en 1993 el premio Nobel alternativo de la Paz y es la directora de la Research Foundation for Science, Technology and Natural Resource Policy. En 2010 fue premiada con el Sydney Peace Prize por su compromiso con la justícia social.

     

    MIES, Maria; SHIVA, Vandana. Ecofeminismo: teoría, crítica y perspectivas. Espanha: Icaria editoria, 2016.

     

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    Os traços que definem o perfil sociodemográfico da mulher brasileira desautorizam o uso do singular, uma vez que os indicadores médios, em si ruins, tornam-se dramáticos em alguns segmentos da população feminina. Portanto, mais que a mulher brasileira, existem mulheres brasileiras, oriundas de – e vivendo em – realidades sociais bastante distintas, herdeiras de quinhões muito desiguais de recursos materiais e simbólicos, a influenciar tanto sua leitura do passado e do presente, quanto suas opções políticas e expectativas em relação ao futuro. Erra muito quem, ao pensar nas mulheres brasileiras hoje, visualiza a dona de casa, conformada e satisfeita com sua dependência econômica e submissão ao marido, ou a espera de um. Não é assim que elas se veem. Como também erra, embora menos, quem pensa só na trabalhadora: já no mercado ou buscando entrar, a maioria das brasileiras acumula o trabalho fora, remunerado, e o trabalho doméstico não pago, a contragosto suportando a experiência estafante da dupla jornada. Indagadas sobre a primeira coisa que fariam para que a vida de todas as mulheres melhorasse, despontaram como principais respostas o fim das discriminações no mercado de trabalho (47%), a igualdade de direitos (10%), o combate à violência contra as mulheres (9%); maior liberdade (5%), menos machismo e mais reconhecimento por parte dos homens (5%) – respostas que constituem uma pauta específica de preocupações, que a visão masculina hegemônica, vinda de outro lugar, tem dificuldade de enxergar. Vividas com intensidade e frequência diferentes, conforme os cortes de classe e/ou etnia, as denúncias de discriminação e opressão de gênero afloraram na pesquisa A mulher brasileira nos espaços público e privado, ainda que perpassada por um balanço e expectativas positivas. Duas em cada três brasileiras (65%) avaliam que a vida das mulheres melhorou “nos últimos 20 ou 30 anos”, percepção que cresce com o aumento da renda familiar. Solicitadas a definir “como é ser mulher hoje”, a maioria associa espontaneamente a condição feminina à possibilidade de inserção no mercado de trabalho e à conquista da independência econômica (39%); à liberdade e independência social de agir como quer, de tomar as próprias decisões (33%), ou ainda a direitos políticos conquistados e à igualdade de direitos frente aos homens (8%).

     

    VENTURI, Gustavo; RECAMÁN, Marisol. A mulher brasileira nos espaços público e privado. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2004.

     

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    leituras para o quinto encontro

    ROLNIK, Suely. Prefácio à nova Edição. In: __ Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre: Sulina, 2014.

     

    Rolnik questiona:

    “como e onde se opera o estrangulamento vital que nos aprisiona

    no intolerável e nos asfixia? Como nossa subjetividade é capturada pela fé na religião

    capitalista? Como nossa força de criação é drenada pelo mercado?”.

     

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    FOUCAULT, Michel. É inútil revoltar-se? In: Ditos e escritos, volume V: ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

     

    "As revoltas pertencem à história. Mas, em certo sentido, escapam dela. O impulso graças ao qual um simples indivíduo, um grupo, uma minoria ou todo um povo diz: “Não mais obedecerei” e lança o risco de suas vidas na face de uma autoridade que considera injusta me parece algo irredutível."

     

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    STANDING, Guy. O precariado: a nova classe perigosa. São Paulo: Autêntica, 2013.

     

    Em síntese, o livro analisa os seguintes aspectos:

    1) Conceito/definição e gênese do precariado; 2) Diferenças conceituais entre ‘habitantes’ e ‘cidadãos’ no âmbito do precariado global; 3) As novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), o multitarefismo e a sociedade terciária; 4) O crescimento da imigração em diversas partes do mundo, especialmente nos países centrais do capital; 5) Desigualdade de gênero e precariedade de gênero; 6) Juventude e nomadismo urbano; 7) Mercantilização da educação; 8) Envelhecimento e trabalho; 9) Os novos arranjos familiares; e 10) Recrudescimento do ideário fascista em diversas partes do mundo.

     

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    MEDEIROS, Fernanda Luíza Silva de. Feminismo e neoliberalismo na contemporaneidade: uma “nova razão” para o movimento de liberação das mulheres? Revista Teoria e Pesquisa. Disponível em: http://www.teoriaepesquisa.ufscar.br/index.php/tp/article/viewFile/613/371 Acesso em: jan 2018.

     

    Resumo:

    Com o advento da globalização e a crescente desconfiança em relação ao Estado e ao capitalismo estatal, contra quem se opunha a 1ª onda do movimento feminista no século XX, o movimento de liberação das mulheres passou a agir com ambiguidade em relação ao capitalismo. Ainda que essa relação ambígua tenha atingido seu ápice no final da 2ª onda feminista, é na 3ª fase do movimento que ela resulta em uma relação mais complexa entre o feminismo e o neoliberalismo, indicando pontos em comum e pontos de conflito entre os dois. Assim, este artigo busca responder à seguinte questão: como se dá a relação entre a terceira onda do movimento feminista e o neoliberalismo? Por meio de revisão bibliográfica atualizada, identificou-se três principais dimensões desta relação. Primeiro, a barganha, em que há uma troca de princípios e ideais entre o neoliberalismo e o feminismo; nesse caso, a troca é horizontal e ocorre como uma absorção de ideias. Em segundo lugar, a instrumentalização, em que o movimento feminista foi cooptado pelo neoliberalismo, sendo utilizado como ferramenta de expansão pelo capitalismo na área econômica e como bandeira do individualismo na área política. Por fim, a reafirmação identitária, em que o movimento feminista na terceira onda apresenta preceitos pós-modernos focados em elementos identitários e, por isso, transita entre o individualismo neoliberal e a coletivização dos movimentos sociais.

    Palavras-chave: feminismo; neoliberalismo; terceira onda; governamentalidade.

     

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    FRASER, Nancy. Como certo feminismo mordeu a isca neoliberal. The Guardian. Disponível em: fev 2019.

     

    A crise atual oferece a chance de pegar seu fio mais uma vez, reconectando o sonho de libertação das mulheres com a visão de uma sociedade solidária. Tendo em vista esta finalidade, as feministas precisam romper seu perigoso laço com o neoliberalismo e reivindicar nossas três “contribuições” para nossos próprios fins.

     

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    Leitura para o sexto encontro

    ACOSTA, Alberto. O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo : Autonomia Literária, Elefante, 2016. 264 p.

     

    >> Sugestão de leitura: Capítulo 2

     

    Neste livro, Alberto Acosta resgata o conceito de sumak kawsay, de origem kíchwa, e nos propõe uma ruptura civilizatória calcada na utopia do Bem Viver, tão necessária em tempos distópicos, e na urgência de se construir sociedades verdadeiramente solidárias e sustentáveis. Uma quebra de paradigmas para superar o fatalismo do desenvolvimento, reatar a comunhão entre Humanidade e Natureza e revalorizar diversidades culturais e modos de vida suprimidos pela homogeneização imposta pelo Ocidente.

     

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    VALENTIM, Marco Antonio. Extramundanidade e sobrenatureza: ensaios de ontologia infundamental. Florianópolis, SC : Cultura e Barbárie, 2018. 320 p.

     

    >> Sugestão de leitura: Prólogo

     

    Este livro pode ser lido como extraindo as consequências de uma observação recente de Isabelle Stengers: "Se lermos os filósofos pensando no que tudo o que eles dizem implica para os africanos ou os amazônicos... Bem pouca coisa se salva de nossa filosofia.” E, reciprocamente, se lermos/ouvirmos o que dizem “os Africanos” ou “os Amazônicos” pensando no que isso implica para a filosofia – como isso poderia implicar “a filosofia”, entenda-se, nossa filosofia? Há algo de novo, de metafisicamente subversivo, de perturbador para nossa metafísica, clássica ou renovada, descritiva ou reformista, que os povos extramodernos podem aportar?

     

    Acesse o PDF do texto

    BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte : Ed. UFMG, 1998. 396 p.

     

    >> Sugestão de leitura: Introdução

     

    A escrita desse texto é uma escrita situada nas margens deslizantes do des­locamento cultural e profundamente comprometida com uma perspectiva teóri­ca que toma como ponto paradigmático de partida o hibridismo cultural e histó­rico do mundo pós-colonial. Os diversos entrecruzamentos teóricos dos quais o autor se serve fazem desta obra de estudos culturais uma obra transdisciplinar, onde a categoria de espaço migrante assume toda a sua potência.

     

    Acesse o PDF do texto

     

    A CRISE DO CAPITAL É PARTE DE UMA CRISE CIVILIZATÓRIA. Lela UFSC. 2019 (32m38s). Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=tdg6MJwwP1E. Acesso em 20 fev 2019

     

    Entrevista com o Prof. Carlos Walter Porto Gonçalves para o canal Lela UFSC sobre a questão indígena latino-americana e alerta sobre a necessidade da luta contra o capitalismo e a colonialidade.

  • uns artigos, filmes, docs

    algumas coisas que nos assombram e/ou inspiram

    economia sexista

    O modo que medimos a economia é inerentemente sexista

    Tornou-se familiar que poucas pessoas reconhecem que a criação e medição do PIB assentam em muitas suposições e julgamentos. Estas incluem duas omissões principais: mudanças nos indicadores ambientais; e trabalho doméstico não-remunerado e voluntariado. As mulheres fazem a maior parte desse trabalho não-remunerado (em média, nos países da OCDE, as mulheres fazem cerca de duas vezes mais, 150 minutos por dia a mais, do que os homens em casa). Por não ser medido, geralmente é negligenciado pela política econômica.

     

    continuar lendo

    desescolarização de direita?

    como diferenciar a desescolarização, como processo de vida, com a educação familiar proposta pelo governo neoconservador?

    O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos quer regulamentar o ensino domiciliar por meio de uma medida provisória (MP). No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou que a prática não é permitida no Brasil. A maioria dos ministros concordou que a Constituição Federal não proíbe o ensino em casa. No entanto, como não há lei regulamentando o ensino domiciliar, não haveria como instituir essa alternativa no país. Uma MP, portanto, seria um caminho para permitir a prática.

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    arpilheras

    mulheres atingidas por barragens bordando a resistência

    Cinco mulheres de diferentes regiões do país, foram vítimas de desastres ambientais que resultaram no desabamento de barragens. Agora, por meio de entrevista o documentário mostra como elas tentam superar o ocorrido por meio da técnica chilena de costura das "arpilleiras". Ao mesmo tempo, o papel da mulher na sociedade brasileira também é abordado em todo o filme.

     

    Direção: Adriane Canan

    none and the less

    já deveríamos haver compreendido que as opressões se interseccionam

    e aí fala-se de azul, de rosa, de buceta e pau, de quais corpos é permitido tocar de jeitos específicos com o corpo que se tem, e, assim, com quais corpos se pode reperformar uma das células estruturantes do modelo todo, a família, para que seja garantida a restituição

    e isso é também uma biopolítica, um definir sob quais circunstâncias podem os corpos habitarem a pólis e adentrarem o sistema de reconstrução das máquinas

    talvez — seja preciso prestar mais atenção à maquinaria de engendramento do tecido social, que não para de, nas relações sociais de todas as ordens, produzir e reiterar posições mais ou menos hierárquicas, mais ou menos dominantes e dominadas

    ler o texto na íntegra

    um clip

    decalque ou recalque?

    Esse clip, está no vórtice desse grupo de estudos: casa, infâncias, mulheres em risco. A afirmativa "sua casa não te define" - sendo equiparativa a homem "que um homem não te define" - pode ser desqualificadora (e de fato, em certos - e muitos - aspectos, é). No entanto, dá a pensar e exige problematização. Imaginemos uma pseudo categoria semântica do tipo recalque-decalque, que se a gente for aprofundando, não é tão pseudo assim, mas se a gente for ampliando mais um pouco chega no ponto: o valor.

    Seria recalque a afirmativa? Seria decalque a afirmativa? Que seria a casa tomada como definidora? Pensares...

     

    A casa tomada como signo de outridade, a casa como lugar de desgaste, a casa como lugar de exigência de uma vida que não cessa de devir, mesmo quando a alma quer um ponto tanático de parada.

     

    Segundo single de SOLTASBRUXA, primeiro álbum oficial de francisco, el hombre. Gravado em La Habana, Cuba durante a turnê #VaiPraCuba em Julho de 2016 em parceria com DANZA VOLUMINOSA.

     

     

  • umas pensadoras que dão a pensar

    tem gente que pensa e ao fazê-lo nos põe a pensar

  • uns comentários

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