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    <title>Ativismo Delicado</title>
    <description>processo de composição  de resistência, proposto por Nina Veiga para pesquisa e estudo sobre os modos de ser e viver em tempos de ameaças à estética da vida viva.
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      <title>Um ativismo delicado</title>
      <pubDate>Sun, 29 Jun 2025 12:55:42 -0700</pubDate>
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      <description>&lt;p style="font-size: 83%;"&gt;Texto de  Malú Mainardi*&lt;/p&gt;&lt;p&gt;       Segundo a definição filosófica no dicionário Oxford, ativismo significa qualquer doutrina ou argumentação que privilegie a prática efetiva de transformação da realidade em detrimento da atividade exclusivamente especulativa, frequentemente subordinando sua concepção de verdade e de valor ao sucesso ou pelo menos à possibilidade de êxito na ação.&lt;/p&gt;&lt;p class=" undefined"&gt;	Fiquei bastante pensativa ao entrar em contato com este termo, Ativismo Delicado. Sempre associei a palavra ativismo, de forma preconceituosa, à combate físico, enfrentamento de forma imposta buscando o respeito a um determinado posicionamento, gritaria, faixas, como vemos em passeatas…&lt;/p&gt;&lt;p class=" undefined"&gt;	Recordei também de um livro do Tony Ramos que li anos atrás que leva o título “No tempo da delicadeza” onde ele menciona a perda da elegância nos dias atuais no trato com o outro, fazendo falta a frases como por favor, obrigada, com licença ou eu gosto de você.&lt;/p&gt;&lt;p class=" undefined"&gt;	De onde eu vim, não aprendi a forma que eu considero delicada de expressão. Falar delicadamente eu entendo que seja, em primeiro, pensar antes de falar, falar com calma, clareza, procurar novas formas de explicar o que não foi entendido, Falar com verdade, sem sarcasmo, sem duplas mensagens, sem querer ferir. Falar tudo o que precisa ser dito de forma responsável buscando uma forma de não machucar. Tudo pode ser dito, mas, existem jeitos e jeitos de se dizer as coisas.&lt;/p&gt;&lt;p class=" undefined"&gt;	Existe ainda o aspecto que ultrapassa o dizer, que é o comunicar. Comunicar não acontece necessariamente com palavras, podem ser gestos, energia ou falta dela para realizar tarefas, respirações profundas, ficar sem respirar, o corpo contraído ou relaxado, sorrisos ou a falta deles, olhos que se reviram. Este comunicar pode ou não ser delicado.&lt;/p&gt;&lt;p class=" undefined"&gt;Voltando a um fragmento da definição filosófica mencionada no início - prática...&lt;a href=https://www.ativismodelicado.art.br/blog/um-ativismo-delicado&gt;Read More&lt;/a&gt;</description>
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      <title>A batina do padre</title>
      <pubDate>Mon, 23 Sep 2024 12:12:09 -0700</pubDate>
      <link>https://www.ativismodelicado.art.br/blog/a-batina-do-padre</link>
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      <description>&lt;p&gt;Texto de Nina Veiga*&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 83%;"&gt;Morei muitos anos no Sul de Minas, cidade de Três Pontas. Terra de Milton Nascimento e Padre Victor. Foi lá que conheci o catolicismo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;No dia 23 de setembro, é feriado por lá. Dia de Padre Victor, padroeiro da cidade e chamado de "Anjo Tutelar". Foi alçado à categoria de beato, coisa importante para a tradição católica e caminho para a sua promoção como santo.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Romeiros de todas as partes do país chegam na cidade a pé, de ônibus de excursão ou de carro. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Há anos, desde que as atividades religiosas foram abduzidas por um extremismo antivida, não pensava no velho padre. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Resolvi gravar um texto que escrevi em sua homenagem. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vivia num lugar muito distante, região de panos raros. Cada pedaço de tecido, tivesse sido ele  trazido no lombo das mulas dos caixeiros viajantes ou batido fio a fio nos teares dos quintais, era um bem precioso a ser preservado. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ficou pensando nisso enquanto, um pouco mal-humorado, avaliava a extensão do rombo. Logo acima da barra, o rasgo irregular narrava o encontro com um prego. Acarinhou o pano ao redor do estrago, como a pedir-lhe desculpas. Os dedos tatearam o passado e o transportaram há meio século, ao tempo em que, ainda noviço, aprendera a fazer remendos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Balançou um pouco a cabeça, como a espantar as lembranças e caminhou até o armário em busca da antiga caixa de costura. Abriu a tampa e encontrou velhos amigos. Quantos anos, quanto uso, quantos remendos. Uma vida a remendar panos e almas, pensou, ainda a devanear um pouco, mas já com o humor refeito. A perspectiva da costura o animara. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esforçou-se na tentativa de passar a linha pelo buraco da agulha. Os óculos já não o ajudavam tanto. Teve um assombro ao perceber quão fino estava o tecido, parecia sua própria pele que ia se tornando cada vez mais e mais fina, na medida em que envelhecia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Finalmente velho, como ele, o tecido de lã começara a aproximar-se da textura da...&lt;a href=https://www.ativismodelicado.art.br/blog/a-batina-do-padre&gt;Read More&lt;/a&gt;</description>
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      <title>Acordei de solavanco.</title>
      <pubDate>Thu, 19 Sep 2024 07:00:01 -0700</pubDate>
      <link>https://www.ativismodelicado.art.br/blog/acordei-de-solavanco</link>
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      <description>&lt;p style="font-size: 83%;"&gt;Texto de Ana Magnani*&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="display: inline-block"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acordei de solavanco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ando irrequieta, assustada,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;tentando manter a sanidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="display: inline-block"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A fumaça me invadiu as narinas&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e fez com que o medo se instalasse.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Moro no meio da cidade,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;mas meu instinto de sobrevivência grita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="display: inline-block"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sobrevivência...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De quem?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu país queima,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;suas matas queimam,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;estamos todos morrendo aos poucos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os rios secando...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E seguimos em estado de sonolência.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="display: inline-block"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sobrevivência para quem?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Queimam animais,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;queimam pequenas fazendas,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;queimam periferias,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;o fogo se alastra,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e continuamos apáticos acompanhando as notícias.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="display: inline-block"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O fogo queima...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu acordo,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;me reviro,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e volto a dormir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O fogo queima...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="display: inline-block"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; --------&lt;/p&gt;&lt;p&gt;*&lt;a href="https://www.instagram.com/ana.magnani.educadora/" data-type="undefined" target="_blank"&gt;Ana Magnani&lt;/a&gt; é doutoranda em Educação na FCLAR - Faculdade de Ciências e Letras da Unesp Araraquara. Em seu Ateliê desenvolve pesquisas sobre a temática da infância, da diversidade  pesquisas sobre a temática das infâncias, diversidades com enfoque nas relações étnico-raciais e de gênero. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="display: inline-block"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href=https://www.ativismodelicado.art.br/blog/acordei-de-solavanco&gt;Read More&lt;/a&gt;</description>
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    <item>
      <title>A tristeza dói na gente</title>
      <pubDate>Sat, 04 May 2024 06:05:29 -0700</pubDate>
      <link>https://www.ativismodelicado.art.br/blog/a-tristeza-doi-na-gente</link>
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      <description>&lt;p style="font-size: 83%;"&gt;&lt;span style="display: inline-block"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 83%;"&gt;&lt;em&gt;Texto de Nina Veiga*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em 1948, Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha ou João de Barro, compôs essa toada que amanheci cantarolando com letra trocada: “A tristeza dói na gente”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A letra da música diz: “A saudade é dor pungente, morena. A saudade mata a gente, morena”. Fico pensando que essa saudade, às vezes, se manifesta como uma tristeza que dói na gente. Uma tristeza difusa, uma saudade de um não sei quê ou de um futuro, ou, ainda, uma saudade de um si mesmo ausente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem é acostumado com as dinâmicas da vida já deve ter sentido essa dor pungente, pouco localizada, que parece residir no fundo d’alma. Pois hoje acordei assim, doída. Essa dor de letra de toada é motivo de tristeza que embala a alma em um movimento introspectivo e raro, que nos faz ficar em nós. Coisa rara, nestes tempos de culpabilização e consumo exacerbado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Culpabilização, pois é prática contumaz culpar o externo toda vez que uma tristeza nos assola. E consumo, porque, em tempos de consumo exagerado e produtividade exigida, perder tempo com sentimentos introspectivos é quase um crime contra a máquina sistemática que nos envolve. Daí o excesso de medicamentos, tratamentos e conselhos destinados aos tristonhos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas, enfim, hoje é dia de diminuição da potência de agir, como a tristeza é definida por Spinoza. No entanto, o valor dessa diminuição, ao contrário do referido por Spinoza, é afirmativo de vida boa. Sentir tristeza, na perspectiva de hoje, em mim, é destinar parte do dia à reflexão e ao pensar solitário. É dar chance de olhar o mundo, sem estar agindo nele. Ter uma pequena oportunidade de ver o dentro de si e, ao mesmo tempo, ver o fora de si com perspectiva. Talvez seja essa a grande alegria da tristeza: abrir um espaço para a pausa, para o contato com o mais profundo de cada um.&lt;/p&gt;&lt;p class="s-component-content s-font-body s-component...&lt;a href=https://www.ativismodelicado.art.br/blog/a-tristeza-doi-na-gente&gt;Read More&lt;/a&gt;</description>
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    <item>
      <title>O naturalista amador</title>
      <pubDate>Sun, 03 Mar 2024 07:47:00 -0800</pubDate>
      <link>https://www.ativismodelicado.art.br/blog/o-naturalista-amador</link>
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      <description>&lt;p style="text-align: left; font-size: 14.94px;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Texto de &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;a style="color: #555555;" href="https://www.ninaveiga.com.br/a-nina" data-type="undefined" target="_blank"&gt;Nina Veiga&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #555555;"&gt;&lt;a style="color: #555555;" href="" data-type="" target="_blank"&gt;*&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O menininho de quatro anos sai correndo em disparada perguntando: onde está meu milípede?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O milípede em questão é o colar de sementes negras da mãe que ora é sucuri ora é minhoca e, em outras vezes, é o milípede, aquele herbívoro que se enrola em forma de espiral e possui muitas muitas pernas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Noutra ocasião, a mãe pergunta: que está fazendo, meu filho? O pequeno responde, enquanto esvazia a terra de uma porção de canos e os enche com cuspe, fazendo uma massinha: experiências, mãe, experiências, repete com uma expressão compenetrada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro dia, o menino passa pela mãe, arrastando-se pelo chão e exclamando: o alligator está passando, cuidado. A mãe estranha o termo estrangeiro e sem querer aprofundar, mas já aprofundando, pergunta: qual a diferença entre o crocodilo e o alligator? Mãe, responde o pequeno, em tom professoral: o crocodilo e o jacaré são da família do alligator. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto almoça, a babá lê para o menino um livro sobre o solo, onde um tatu e um sapo comentam: "O solo é composto de partículas da rocha-mãe, água, ar e matéria orgânica produzida pela decomposição dos resíduos vegetais e animais. É formado pela ação de fatores ambientais como o clima, microrganismos, relevo, rocha-mãe e o tempo".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais tarde, coberto de lama, em um buraco no jardim, o menino-tatu grita: Pai, estou tomando banho de rocha-mãe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E assim segue o mininaturalista amador: vai pelo jardim atrás de rastros brilhantes de lesmas, pega a escada para ver de perto a teia da aranha tecelã entre os troncos das bananeiras, faz um cobertor de folhas e diz, com prazer: estou coberto de matéria...&lt;a href=https://www.ativismodelicado.art.br/blog/o-naturalista-amador&gt;Read More&lt;/a&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>A esgotada</title>
      <pubDate>Thu, 01 Feb 2024 07:48:05 -0800</pubDate>
      <link>https://www.ativismodelicado.art.br/blog/a-esgotada</link>
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      <description>&lt;p class="public-DraftStyleDefault-block public-DraftStyleDefault-ltr  s-blog-post-section-text-49u74 s-component-content s-font-body s-component s-text s-font-body quote-inner s-quote-content s-blog-section-inner sixteen columns container s-block-item s-repeatable-item s-block-sortable-item s-blog-post-section blog-section s-narrow-margin s-blog-post-section-49u74 s-blog-post-section-0" style="font-size: 10pt;"&gt;Texto de Nina Veiga&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-size: 12pt;"&gt;O fato é que ela estava esgotada. Sim, estava. Era um esgotamento quase crônico, tipo síndrome de burnout. Aquela patologia definida como cansaço extremo, tanto físico, quanto psicológico e emocional, especialmente, em relação ao trabalho. Pois ela tinha a impressão de que estava trabalhando o dobro para receber apenas a metade. E não era o caso de mudar de emprego ou reivindicar melhores condições de trabalho. Ela era o trabalho, ela era o empregador, ela era o funcionário.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-size: 12pt;"&gt;Alguém que conhecia havia lhe dito para fazer aquilo que mais gostasse, que a energia vinha daí. Ao que ela respondeu: faço o que mais gosto. Por educação, a pessoa não lhe questionou, mas podia ter perguntado: então, por que está esgotada? Garanto que não questionou, mas pensou. E tenho quase certeza de que o leitor, assim como eu, também nos perguntamos. Afinal, se ela faz o que mais gosta, se é seu próprio patrão, um sonho para muitas pessoas, então por que está esgotada?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-size: 12pt;"&gt;O fato é que ela estava esgotada. Sim, estava. Sentia aquela fadiga constante. O maior problema é que apesar de todo o esforço, todo o empenho, sentia uma falta de condições materiais, psicológicas e emocionais no próprio trabalho, e o serviço tinha de continuar sendo realizado, ou seja, ela não podia parar. Intuía, mas não conseguia perceber e identificar a armadilha, na qual...&lt;a href=https://www.ativismodelicado.art.br/blog/a-esgotada&gt;Read More&lt;/a&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Máquina de lavar tudo</title>
      <pubDate>Wed, 22 Nov 2023 13:13:14 -0800</pubDate>
      <link>https://www.ativismodelicado.art.br/blog/maquina-de-lavar-tudo</link>
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      <description>&lt;p&gt;Texto de Nina Veiga.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;strong&gt;Máquinas. Máquinas. Máquinas.  Máquina de lavar roupa, máquina de lavar louça, máquina de tudo. Estamos cercados delas. Não reclamo. Minha reclamação&lt;br&gt;acontece quando elas param e entra em cena um personagem de carne e osso e gênero&lt;br&gt;masculino (sempre, sempre): o técnico. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estou em pane. Poderia também começar essa crônica dizendo que estou em pânico. Finalmente, comprei um dicionário etimológico, o que me autoriza a dizer que as duas palavras - etimologicamente - nada tem em comum. Pane, vem do francês 'panne', e significa, como todo mundo sabe e o dicionário comum também, 'parada'. Já 'pânico', tem sua origem no deus Pã, que tem a ver com terror. Vem do latim, 'pãnicus', que, por sua vez, é derivado do grego 'pãnikós'. Enfim, estou um pouco decepcionada com o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, esperava muito mais mistério nas palavras do que encontrei lá. Mas, enfim, estava falando que estou em pane e, talvez, por isso, em pânico. Essa situação, um pouco rara para mim (já que tenho grandes problemas, mas pane e pânico não são bem o perfil deles), o desacostume  dessa situação tem me ocasionado raiva - muita raiva. E como toda raiva só funciona bem quando tem um alvo identificado (mesmo que esse alvo não seja o real motor da raiva), mesmo assim, tenho alvejado - preferencialmente, o fazer doméstico como motivo de raiva: roupas para lavar, louças para secar, comidas para fazer, camas para arrumar, chãos para varrer. Há muito, tenho fantasias sobre os assistentes domésticos de lata. Cada vez mais essas tarefas são feitas por robôs, mesmo que não pensemos nos liquidificadores, maquinas de lavar ou microondas como robôs. Infelizmente, mesmo as máquinas mais simples e conhecidas dão pane. Imagine a situação: sem ajudante doméstica, por ideologia dolorida, a internet com graves problemas de conexão, a luz da cozinha com mau contato, a cafeteira vazando e aí, a gota d'água,...&lt;a href=https://www.ativismodelicado.art.br/blog/maquina-de-lavar-tudo&gt;Read More&lt;/a&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Ensaio sobre a cegueira</title>
      <pubDate>Mon, 06 Nov 2023 09:54:55 -0800</pubDate>
      <link>https://www.ativismodelicado.art.br/blog/ensaio-sobre-a-cegueira</link>
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      <description>&lt;p&gt;&lt;br&gt;Texto de Nina Veiga*&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoFootnoteReference MsoFootnoteReference MsoFootnoteText" style="text-align: justify; font-size: 83%;"&gt;&lt;strong&gt;“Escrevo para desassossegar meus leitores”, disse José Saramago, pela última vez, na apresentação do seu romance “Caim”. "Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem". Existe no Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago uma diferença sutil entre as atitudes de olhar e de ver. O olhar no sentido de percepção visual, uma consequência física do sentido humano da visão. O ver como uma possibilidade de observação atenciosa, de exame daquilo que nos aparece à vista. Provavelmente é nesse sentido que o autor traz como epígrafe do livro a frase: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. O reparar, portanto, não é nada mais do que se libertar da superficialidade da visão para aprofundar o interior do que é o homem e, finalmente, conhecê-lo'.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoFootnoteReference MsoFootnoteReference MsoFootnoteText" style="text-align: justify; font-size: 83%;"&gt;&lt;span style="display: inline-block"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoFootnoteReference MsoFootnoteReference MsoFootnoteText" style="text-align: justify; font-size: 83%;"&gt;...batem furiosamente nos vidros fechados, o homem que está lá dentrovira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete uma palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar a saber quando alguém, enfim, conseguir abrir uma porta, Estou cego. Ninguém o diria. Apreciados como neste momento é possível, apenas de relance, os olhos do homem parecem sãos, a íris apresenta-se nítida, luminosa, a esclerótica branca, compacta como porcelana. As pálpebras arregaladas, a pele crispada da cara, as sobrancelhas de repente revoltas, tudo isso, qualquer o pode...&lt;a href=https://www.ativismodelicado.art.br/blog/ensaio-sobre-a-cegueira&gt;Read More&lt;/a&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>O consumidor</title>
      <pubDate>Wed, 17 Aug 2022 10:57:56 -0700</pubDate>
      <link>https://www.ativismodelicado.art.br/blog/o-consumidor</link>
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      <description>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="display: inline-block"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal MsoNormal" style="text-align: justify; font-size: 83%;"&gt;&lt;strong&gt;Você é uma pessoa ou um consumidor? O que está implícito na ideia de que somos consumidores? Será que viver é consumir? Você media suas relações pelas suas ações de consumo? Que preço tem um raio de sol? Quanto custa um suspiro? Há promoções de abraços hoje? Que mundo estamos ajudando a construir? O que estamos ajudando a fazer de nós mesmos?&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ele traça seus planos pensando nas vantagens que terá por aproveitar descontos. Ele organiza sua vida, associando cifras a cada uma das ações que faz. Ele desenvolve seus gostos, mediado por códigos de barra e etiquetas com valores marcados. Ele passa por cima de qualquer coisa, em nome das ofertas que poderá usufruir. Ele está sempre atento a recibos e rótulos. Ele avalia, critica, categoriza. Ele enlouquece diante de concursos e sorteios. Ele procura embalagens que digam: leve 4 pague um. Ele é o consumidor.  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um personagem que tem até código de defesa. Um personagem que se considera portador de direitos. Um personagem que, esquecido que é gente, vive no mundo como um usuário. Um personagem que utiliza a vida, que consome a vida, que faz da vida uma ação de compra e venda. Ele,o consumidor. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Alguém que esqueceu que é gente. Alguém que esqueceu que nem tudo tem valor de troca. Alguém que esqueceu que a vida não tem SAC. Alguém que fere por centavos. Alguém que fere por crediários. Alguém que fere por ser um consumidor. Alguém que fere por ter como meta de vida consumir. Consumir a qualquer momento, a qualquer preço, custe o que custar. Consumir contanto que ele leve vantagem, que ele leve desconto, que ele aproveite as ofertas. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Para ele não...&lt;a href=https://www.ativismodelicado.art.br/blog/o-consumidor&gt;Read More&lt;/a&gt;</description>
    </item>
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      <title>É preciso estar atento e forte.</title>
      <pubDate>Mon, 25 Jul 2022 11:17:44 -0700</pubDate>
      <link>https://www.ativismodelicado.art.br/blog/e-preciso-estar-atento-e-forte</link>
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      <description>&lt;p style="text-align: center; font-size: 83%;"&gt;&lt;span style="color: #202020;"&gt;&lt;strong&gt;Atenção, precisa ter olhos firmes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;span style="color: #202020;"&gt;&lt;strong&gt;Pra este sol, para esta escuridão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;span style="color: #202020;"&gt;&lt;strong&gt;Atenção é preciso estar atento e forte&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;span style="color: #202020;"&gt;&lt;strong&gt;Não temos tempo de temer a morte&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;span style="color: #202020;"&gt;&lt;strong&gt;Atenção para o sangue sobre o chão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;span style="color: #202020;"&gt;&lt;strong&gt;Atenção&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;span style="color: #202020;"&gt;&lt;strong&gt;Tudo é perigoso&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;span style="color: #202020;"&gt;&lt;strong&gt;Tudo é divino maravilhoso&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br&gt;&lt;span style="color: #202020;"&gt;&lt;strong&gt;Atenção!*&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Gente querida, alegria do encontro. Estou aqui, neste ativismo delicado por uma estética da vida viva para conversar sobre nossa capacidade de resistência e insistência em bem viver. Tenho percebido, em minhas redes afetivas, muito desânimo e tristeza, um esgotamento generalizado. Os últimos anos não têm sido fáceis para quem trabalha por um mundo melhor. Hoje, resolvi trazer um texto que norteia nossas ações de ativismo delicado. Oxalá, sirva de nutrição e ajude no refazimento das forças ativas" (&lt;a href="https://www.ninaveiga.com.br/a-nina" data-type="web" target="_blank"&gt;Nina Veiga&lt;/a&gt;). &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center; font-size: 83%;"&gt;um texto para alimentar a alma ativista:&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center; font-size: 24px;"&gt;NÓS FOMOS FEITAS PARA ESTES TEMPOS&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;"&gt;da carta a uma jovem ativista durante tempos difíceis &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;"&gt;por Clarissa Pinkola Estes&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tenho ouvido de muitas recentemente que estão profundamente e totalmente desnorteadas. Elas estão preocupadas com o estado de coisas em nosso mundo atualmente. O nosso é um tempo de espanto quase diariamente e muitas vezes raiva justificada sobre as últimas...&lt;a href=https://www.ativismodelicado.art.br/blog/e-preciso-estar-atento-e-forte&gt;Read More&lt;/a&gt;</description>
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